terça-feira, 17 de maio de 2016

Encontro 03 - Discussões Coordenadas!

Nesse dia entregamos uma síntese que tratou de um assunto polêmico até hoje, o EXAME, e o texto que usamos como base foi o da Angel Diaz Barriga. Segue abaixo esse trabalho, boa leitura! ;)

Síntese reflexiva do texto:
Avaliação: uma prática em busca de novos sentidos

A prática de utilizar o exame, como instrumento medidor de conhecimento do aluno é uma afirmação que trouxe mais problemas para a educação do que resolveu, todas as pessoas têm uma opinião igualitária quando se afirma que a utilização de exames, tem um fim de reconhecer o conhecimento e indicar o que determinado sujeito aprendeu.
Nas práticas pedagógicas o que se fala em relação a práticas de exames com fim de determinar o conhecimento de um aluno, é totalmente contrário. Então de acordo com a história, primeiro o exame foi utilizado como um instrumento criado pela burguesia chinesa para eleger membros das castas inferiores, segundo não tinham relatos que antes da idade média existia um sistema de exames ligados a essa prática educativa e terceiro a atribuição de notas ao trabalho escolar é uma herança do século XIX à pedagogia. Herança essa que não trouxe muitos benefícios como achariam que iam ter.
Os exames não estão ligados historicamente a problemas com conhecimento, mas está marcado em outras questões que são difíceis de resolver, pois eles são de diferentes ordens, como: sociais, políticos, técnicos e psicopedagógicos. Dessa maneira estes problemas aparecem interiorizados dentro do exame e em todos os âmbitos da sua estrutura.
Mesmo carregando todos estes problemas consigo não se pode colocar toda a culpa no exame e em como ele é utilizado nas práticas educativas, pois não se pode ser justo quando a estrutura social é injusta, não se pode melhorar a educação quando se há uma drástica estrutura educacional, onde professores são mal pagos e alunos sofrem com más condições nas escolas.
O exame é um espaço que sofreu várias inversões das relações de poder e de saber, das relações sociais e das pedagógicas e como a evolução do exame se deu através de mecanismos de poder: da sociedade, da instituição educativa e dos docentes, resultaram em três inversões: uma que converte os problemas sociais em pedagógicos, outra que converte os problemas metodológicos em problemas só de exame, e a última que reduz os problemas teóricos da educação ao âmbito técnico da avaliação.
A primeira inversão é dada por problemas sociais em problemas técnicos, neste tipo de inversão se caracteriza que uma das funções atribuídas ao exame é determinar se um sujeito pode ser promovido de uma série para a outra e sob está ideia central aparecem outras duas funções, a primeira que é a admissão de um sujeito e a outra que é dada através de certificação. O reconhecimento dessas funções e a discussão em relação aos exames estão centrados apenas nos aspectos técnicos que podem dar uma imagem científica. Os problemas sociais, como: acesso a educação, justiça social, estratos de emprego, são relacionados a problemas técnicos, como: objetividade, validade. Esta inversão de problemas sociais em problemas técnicos converte a questão do exame numa dimensão cientificista.
A segunda inversão que é dos problemas metodológicos a problemas de rendimento, mostra que o exame era utilizado no cenário educativo como um passo do método do professor, mas não com fim de ser atribuída nota, mas sim, como um instrumento que o aluno só ia utilizar se estivesse seguro que obteria êxito. Como nesta etapa o exame está ligado ao método, quando o aluno não aprende e não obtém um bom resultado depois de passar pelo exame, é caracterizado que o professor é que deve repensar sua metodologia, pois esse é seu trabalho.
Ao passar pela transformação ligada a este sentido de qualificar e promover o desempenho do aluno com o uso do exame, este deixou de ser um aspecto metodológico ligado à aprendizagem para ser objeto de certificação. Dessa forma quando o exame era utilizado como parte metodológica da prática educativa, podia resolver problemas de aprendizagem, sendo aplicado de diversas maneiras, mas agora com a prática dos docentes e das instituições de certificar e promover o aluno, o exame só é usado com este fim.
Dessa maneira, com toda esta estrutura envolta no exame, se estruturou a pedagogia do exame, pedagogia esta que está articulada em função da certificação e promoção dos alunos, causando problemas notórios de formação, de aprendizagem e processos cognitivos. Assim o exame assume um papel como um instrumento individual de controle, se tratando de assumir formas de controle individual e sua extensão a formas de controle social.
Na terceira inversão da relação do exame como um problema de controle cientifico no século XX em direção ao empobrecimento do debate educativo, tem se que durante este século foi criado condições para estabelecer mecanismos que garantissem este controle, foi ainda neste período que a pedagogia deixou de se referir ao termo como exame, passando a o referenciar por teste, e posteriormente por avaliação, que é utilizado até hoje no sistema escolar.
Quando passou a ser utilizado o teste, este serviu como um instrumento científico, válido e objetivo que poderia determinar uma infinidade de fatores psicológicos de um indivíduo, como: inteligência, atitudes, interesses e a aprendizagem. A partir desta utilização a sociedade pode se livrar dos problemas éticos que criam a injustiça, pois se podia mostrar através dos testes que a diferença social era unicamente o resultado das diferenças biológicas, então se você fosse pobre ou negro, você já era considerada uma pessoa com diferença biológica, que não servia nem tinha como ter acesso à educação, e só servia para ser operário, já que nesta fase tinha-se a revolução industrial, então você iria aprender como ser um bom operário, já que esta era a sua qualificação.
A proposta da teoria do teste apoiada na teoria da ciência por um lado incorporou a teoria da medida que a psicologia experimental estava adotando e por outro lado centrou a discussão da suposta especificidade de seu instrumento nos problemas de objetividade, validade e confiabilidade, a maneira arbitrária de como os testes foram desenvolvidos e utilizados não foram levados em questão, já que sua eficácia e sua objetividade era o que mais importava. Progressivamente foi tendo avanços em relação aquele exame inicial, que era tradicional e subjetivo, ele foi substituída pelo termo prova objetiva que seguia a mesma promessa de ser objetivo, de ter controle e ser democrático.
Aquele debate em relação ao exame e suas práticas transformaram-se profundamente no desenvolvimento da teoria do teste, que estava centrado em problemas como: construção de provas, validação estatística do exame e atribuição estatística de notas. Esta forma de tornar técnica o teste resultou num problema completamente prejudicial para o desenvolvimento escolar e a aprendizagem dos alunos, uma vez que às provas escolares foram reduzidas a um conjunto de dados estatísticos, e estes trabalhos foram ficando cada vez mais cópias uns dos outros.
A pedagogia que estudou a educação foi deixando de lado esse estudo quando passou a se importar com os problemas técnicos da construção de provas, elaboração de planos e programas e organização de sequência de aprendizagem, o exame é, portanto um problema da história da pedagogia que foi sempre vinculado à didática, mas tornou-se independente no campo de estudo.
Com outra evolução do exame se chega à avaliação que é o termo utilizado até os dias de hoje, e esta nova mudança de um termo por outro se justifica na necessidade de se ter uma palavra neutra que reflita numa imagem acadêmica e simultaneamente possibilite a mesma ideia de controle de termos anteriores. É por isso que culturalmente todas as pessoas tem uma noção de que a avaliação da aprendizagem remete a uma medição do que a pessoa conhece. A avaliação educativa adquiriu o status de um campo técnico próprio, e esta segmentação do trabalho educativo é fruto de uma pedagogia industrial que se rege pelos princípios da divisão técnica do trabalho.
Então com todas essas nuances de inversões do papel do exame a fim de resolver outros problemas que não são de sua competência, ou de melhorar a educação, se pode perceber que o problema só foi ficando maior, pois hoje em dia as salas de aula são espaços de competições e de não aprendizado, pois os professores preparam seus alunos para fazerem um teste perfeito e os alunos só vão a fim de receberem uma nota, precisa-se recuperar a sala de aula transformando-a num espaço de discussão, de debate de organização de pensamentos, e entender que o exame não é o problema central da educação, mas que para enfrentar esses problemas que a educação enfrenta é preciso fazer uma elaboração dos seus principais problemas.


Referência


BARRIGA, Angel Diaz. Uma polêmica em relação ao exame. In: ESTEBAN, Maria Teresa (Org.). Avaliação: uma prática em busca de novos sentidos. 5. Ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2003, p. 51-82.

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