Boa leitura, bons estudos!
Síntese do vídeo: Avaliação da Aprendizagem Cipriano Luckesi Série
Encontros
O
vídeo da entrevista de Luckesi vai retratar toda a história, a prática da
avaliação, sua relação com os tipos de pedagogias e as práticas das escolas e
dos professores no que se diz respeito a avaliar os alunos. A história começa
quando o rapaz interroga Luckesi sobre o que é avaliar para ele, pois na época
do vídeo já havia uma discussão de como seria uma escola ideal e ele é uma
pessoa qualificada a falar desse assunto, e porque ele começou a escrever nessa
área. Luckesi responde que quando ele ainda era universitário, ele tinha um
professor que era um Jesuíta que levou para a sala de aula o assunto dos
testes, então ele começou a estudar sobre este assunto e a trabalhar com
produção, codificação e qualificação de testes na Bahia.
A
avaliação que existe nas escolas onde um professor usa um instrumento para
aferir o conhecimento do aluno, vem da pedagogia tradicional em sua grande
maioria, pois esses instrumentos têm características examinativas (selecionar,
aprovar, reprovar etc.) e esse tipo de pedagogia tradicional surge no século XV
na sociedade burguesa e que tinham como objetivo selecionar as pessoas para o
exército, mas esse tipo de exame escolar que conhecemos e que existe até hoje
aconteceu no século XVI e foi uma junção da pedagogia protestante (Comenius)
com a pedagogia católica (Jesuítas).
A pedagogia católica dos Jesuítas
utilizava de várias práticas que muitas delas até hoje são reproduzidas nas
escolas, e criaram um documento de regras que tinha o nome de Ratio Studiorum
que neste tinham as regras e as normas que tinham que ser seguidas, pelos
alunos. Então o aluno tinha que fazer a sua prova e entregá-la ao professor e
só podia olhá-la quando o professor entregasse, se dois alunos sentassem um ao
lado do outro dever-se-ia prestar atenção, pois não saberia quem teria
resolvido a prova e quem só tinha copiado, o aluno tinha que levar seu material
para fazer a prova para não pedir de ninguém a hora da prova era pra ser em
silêncio. As bancas avaliadoras de mestrado e doutorado também surgem nessa
época com a ratio studiorum que significa organização do estudo.
A pedagogia protestante de Comenius
também criou um modelo de examinar, através de um livro feito por ele que tem o
nome Didática Magna. Ele dizia que o professor tinha de fazer uso de ameaça
para que o aluno estudasse e reproduzisse nos exames o que ele sabia. Comenius
fala ainda que o aluno para aprender precisa prestar atenção, então o professor
tem que usar de vários artifícios para chamar a atenção dele e ele assim
aprender, ele também acreditava que o medo era um fator positivo para a
aprendizagem do aluno.
O exame é um tipo de instrumento que
tem três características marcantes que são citadas por Luckesi no vídeo, que
são: pontual, classificatório e seletivo. O exame é pontual pois ele tem hora,
local, data e tempo para ser feito, então se o aluno faz a sua prova em 30 min,
mas no decorrer da saída da sala ele lembra que não foi bem em uma determinada
questão e volta para o professor dizendo isso e pergunta se pode ajeitar a sua
prova, o professor diz que não. Luckesi diz que na maioria das palestras que
ele realiza, ele também ouve sempre essa mesma resposta, e ele foca aí a
primeira característica forte do ato de examinar, pois o aluno podia rever a
sua prova e corrigi-la, mas o tempo para isso acabou. Ou seja o ato de examinar
não se importa com o que aconteceu antes, o que está acontecendo e o que vai
acontecer, ele só se preocupa com aquele momento em que a prova está sendo
realizada.
A
segunda característica do exame é a classificação, e o uso de notas pelo
professor para medir o nível de seus alunos dentro da sala de aula é o que mais
caracteriza a classificação. Uma nota para o aluno é até hoje um tipo de instrumento
avaliativo, pois se o professor percebe que o aluno consegue aprender aquele
conteúdo e tem condições de desenvolver sua aprendizagem em uma turma sequente
a sua porque não aprová-lo com uma nota 7,0 (se esse for o padrão da sua
escola)? Mas, o que acontece são seleções de acordo com a nota que o aluno
tirou em sua prova, onde se em duas provas o aluno obtém uma nota seis e na
segunda uma nota quatro, o professor soma as duas e divide por dois e o aluno
fica assim com uma média cinco, não sendo aprovado, ou seja o que há é uma
seleção de notas, e uma classificação dos alunos, não caracterizando o ato de
avaliação, mas sim de examinação.
E
a terceira característica do exame é a seleção, que é predominante nos
vestibulares, concursos etc. Luckesi no vídeo usa o exemplo do vestibular da
Bahia, onde para três mil quatrocentos e cinquenta vagas, houve mais de onze
mil inscritos, então esses que não conseguem entrar na instituição de ensino
ficam de fora da sociedade, são excluídos e marginalizados. E o professor
dentro da sala de aula quando começa a usar da seletividade, ele exclui os
alunos que não estão conseguindo desenvolver a sua aprendizagem, prejudicando
ainda mais a sua caminhada dentro da escola. Então essa prática de examinar tão
envolta dentro das escolas e dentro da sala de aula, caracteriza no aluno um
déficit de aprendizagem.
Sendo
contrário ao exame, é explicado no vídeo o que seria então avaliação e como
esta deve ser praticada dentro da sala de aula para que os alunos consigam
assim desenvolver suas habilidades cognitivas e a sua aprendizagem. Então as
características que definem a avaliação são: não pontual, dinâmica, formativa,
além de serem ainda mediadora, dialética e inclusiva.
A
avaliação é não pontual pois o momento em que o aluno está fazendo a sua prova,
o professor está preocupado no que houve anteriormente, no que está acontecendo
agora e no que virá a acontecer, pois o ato de avaliar não é para selecionar,
classificar ou punir o aluno, mas sim de interferir no momento em que o aluno
erra e ajudá-lo a aprender o que ele ainda não compreendeu. Então a primeira
diferença de avaliar para examinar é que o ato de avaliar é contínuo.
A
segunda característica da avaliação que se opõe ao exame é que ela é dinâmica,
então o professor sabe que se determinado aluno não conseguiu obter uma nota
considerada desejável, isso não caracteriza que ele não sabe, ou que não vai
conseguir aprender, pois um professor quando avalia a serviço da aprendizagem
ele usa de vários instrumentos avaliativos, para avaliar seus alunos, o que
acaba sendo um benefício para o desenvolvimento do aluno, e para o dinamismo
dentro de sala de aula, uma vez que o rendimento dos alunos não será medido por
notas ou conceitos obtidos em provas.
E
uma vez que a avaliação não é pontual e não é classificatória, ele acaba se
tornando inclusiva, pois o professor trabalhará com a sua turma no todo, para
que todos consigam se desenvolver e aprender aquilo que está sendo proposto e o
que se está sendo ensinado. Ou seja o ato de avaliar é um ato amoroso, no
sentido de que ele abraça, envolve o aluno, para que este realmente aprenda.
Mas,
o que acontece é que a escola e o professor não sabem como mudar essa tradição
tão forte e tão interiorizada, de que avaliar é usar provas. O professor quando
é selecionado para ensinar alguma disciplina ele recebe da escola, todo o
planejamento dessa matéria, com seus objetivos, seus assuntos a serem abordados
e como será a distribuição dos conteúdos nas provas, então o professor recebe o
pronto e quer buscar nos alunos daquela turma, uma prontidão também, e isso
acontece desde as escolas de nível fundamental até as universidades. Dessa
forma é mais fácil, e mais cauteloso para o professor que ele apenas reproduza
em seus alunos o que a escola (coordenação, direção) escolheu para ser feito.
O
professor que se preocupa com a aprendizagem e com o desenvolvimento de seus
alunos, tem que procurar sentir um incômodo ao receber esse trabalho e essa
prática pronta de sua escola, pois ele ao se incomodar, ele vai buscar mudar o
seu planejamento e a sua prática pedagógica avaliativa, o que surtirá um efeito
positivo em sua turma e em seus alunos.
No
vídeo o entrevistador pergunta a Luckesi se esse ato de não aplicar provas ou
atribuição de notas não vai causar um medo e uma insatisfação nos pais dos
alunos que procurarão os professores para reclamar. Ele fala que nas suas
palestras ele também é questionado sobre as notas, e ele responde aos seus
ouvintes que eles deem as notas, mas que não fiquem presos a elas, e que elas
não representem unicamente a aprendizagem de seus alunos. E os pais quando
procurarem a escola e os professores, notarão que não foi deixado de fazer
provas, e que os seus filhos não estão ao léu, mas que eles estão sim
aprendendo, desenvolvendo-se, mas que não precisam passar por duas ou três
provas de cada disciplina durante seu ano letivo para conseguirem passar
adiante com qualidade e tendo aprendido o que foi proposto.
Dessa
forma pode- se concluir que mesmo sendo um trabalho desafiador e de uma certa
forma revolucionário, a mudança e a inclusão do ato de avaliar precisa ser cada
vez mais difundido, estudado e colocado em prática dentro da sala de aula de
todos os níveis de formação. Pois os professores formam pessoas para que se
desenvolvam tanto cognitivamente quanto pessoalmente, e o que mais se vê hoje
em dia são pessoas que a qualquer preço querem derrubar seus colegas, e se o
aluno vê essa prática vindo de um professor que exclui, seleciona, classifica
etc., ele a continuará fazendo e será mais um cidadão grosseiro dentro de uma
sociedade cada vez mais classificatória e seletiva.
REFERÊNCIA
Avaliação da
Aprendizagem Cipriano Luckesi Série Encontros. Direção: Paulo Aspis, Regis
Horta. Produção: ATTA Mídia e Comunicação. Entrevista, 82'24". Disponível
em: < https://www.youtube.com/watch?v=NbHdgMGV1y0>. Acesso em abril de 2016.
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