quarta-feira, 18 de maio de 2016

Encontro 04 - Discussões Coordenadas - Síntese!

Olá! Como foi deixado no último post, logo abaixo você poderá ler a síntese reflexiva, com base no texto de Luckesi!

Verificação ou avaliação: O que pratica a escola?

De acordo com o texto se pode notar que os professores fazem uso de avaliação com o sentido de aferir o conhecimento do aluno, isso claro seguindo as normas da escola que o regem. Mas é evidente no texto que o que será discutido e analisado é se o professor ao avaliar o seu aluno, com o intuito de medir ou não o seu conhecimento está ajudando na sua aprendizagem. Por isso que o autor usa dois termos principais na sua escrita, verificação ou avaliação o que realmente fazem os professores aliados com as escolas, a fim de que ajudem na aprendizagem dos alunos.
O professor ao praticar a aferição do aproveitamento escolar de seus alunos, usa basicamente três procedimentos sucessivos. São eles: medida do aproveitamento escolar; transformação da medida em nota ou conceito e a utilização dos resultados identificados, a partir do estudo desses passos, se poderá obter uma resposta acerca da prática dos professores.
Na medida do aproveitamento escolar, é evidenciado que na nossa prática escolar, os resultados da aprendizagem são obtidos pela medição, variando a especificidade e a qualidade dos métodos utilizados e os instrumentos utilizados para obtê-las. Essa forma adotada pelos professores para conseguir os resultados da aprendizagem através da medida, é dada pelo acerto da questão, em provas, testes ou qualquer outro tipo de simulado que seja composto por questões, onde para cada questão é atribuído um valor, e na maioria das vezes o máximo de acertos é de dez questões, garantindo assim para o aluno uma medida máxima de seu conhecimento, e para aqueles que não atingiram uma medida mínima ou nula de conhecimento.
Comumente nas práticas escolares esses acertos de questões nas provas ou outros meios de coletas dos resultados de aprendizagem, viram “pontos”, mas não muda o caráter de medição. Dessa maneira, mesmo sendo precário essa utilização de medir o conhecimento do aluno, ela é um ato necessário e tem sido praticada em praticamente todas as escolas, e no que se diz respeito aos resultados da aprendizagem, esse é o primeiro passo que o professor pode dar para que ele possa seguir os próximos passos na aferição da aprendizagem dos seus alunos.
O próximo passo do professor no processo de aferição do aproveitamento escolar, é a transformação da medida em nota ou conceito, isso quer dizer que ao medir e obter um resultado que é referente a uma quantidade de pontos, o professor transforma isso em uma nota, adquirindo uma conotação numérica, ou em um conceito, adquirindo uma conotação verbal, essa transformação dos resultado medidos previamente em nota ou conceito se dá por meio de uma equivalência simples entre os acertos ou pontos pelo aluno e uma escala previamente definida, de notas ou conceitos.
E por fim o professor obtém os resultados identificados e colhidos a partir dos passos anteriores. Daí quando o professor já estiver com o resultado em mãos ele tem diversas possibilidades de uso, como: registrar em seu diário de classe, ou em caderneta de alunos; se o resultado for ruim para o aluno, oferecer uma oportunidade de melhorar essa nota/conceito, permitindo que faça uma nova aferição; e se atentar para as dificuldades dos alunos e seus desvios de aprendizagem, decidir trabalhar pra que eles de fato aprendam aquilo que realmente deveriam aprender, construindo assim efetivamente os resultados necessários da aprendizagem.
Quando o professor pega os dados dos alunos e estes revelam que os alunos estão numa situação negativa em relação a aprendizagem, o professor comumente utiliza a primeira e no máximo a segunda opção, onde ele anota esse dado em uma caderneta no máximo chama o aluno para que ele estude mais e passe por uma nova aferição a fim de que melhore sua nota. Com base nesta observação pode se notar que o que é evidenciado é a nota dos alunos e a sua classificação e não a sua aprendizagem, isto caracteriza no ponto de vista educativo um desvio.
E a terceira opção possível de utilização dos resultados da aprendizagem é a mais rara pois seria necessário que os professores em junção com a escola trabalhassem juntos a serviço único da aprendizagem e pelo desenvolvimento do aluno, a efetiva aprendizagem seria o centro de todas as atividades do professor. Mas o que é comum e o que os professores estão preocupados é com a aprovação ou reprovação dos seus alunos e não com a sua aprendizagem consistente. Então o que é observado até aqui é que a aferição da aprendizagem escolar é utilizada, na maioria das vezes, para classificar os alunos em aprovados ou reprovados, quando há um interesse ou uma prática de revisão de conteúdo, em si não é para proceder a uma aprendizagem ainda não realizada, ou um aprofundamento em conteúdo mais difíceis e já vistos em sala, isso é feito para melhorar a nota/conceito do aluno e com isso aprova-lo.
E quando se refere a escola e ao seu papel em relação a avaliação da aprendizagem, como ela se comporta e como age? É mostrado no texto que a escola trabalha com a verificação da aprendizagem. O ato de verificar configura-se pela observação, obtenção, análise e síntese dos dados ou informações que delimitam o objeto ou ato com o qual se está trabalhando, esse ato termina quando o objeto ou o ato de investigação chega a ser configurado no sentido abstrato, isto é, no momento em que se chega à conclusão que tal objeto ou ato possui determinada configuração.
A aferição do aproveitamento escolar não é um ponto de chegada de conclusões corretas, mas um ponto a se pensar se o que está se fazendo é correto e de qualidade, nesse aspecto é discutido a aferição em três etapas, na primeira etapa que é o uso da avaliação, o professor deve fugir do aspecto classificatório da avaliação e seguir passos que atentem para a aprendizagem dos alunos, devendo assim, coletar, analisar e sintetizar de forma objetiva as manifestações de condutas dos alunos, sejam elas cognitivas, psicomotoras, afetivas, produzindo assim uma configuração do efetivamente aprendido; atribuir uma qualidade a essa configuração da aprendizagem a partir de um padrão preestabelecido e admitido como válido pela comunidade pedagógica escolar e que estejam de acordo com o conteúdo visto em sala de aula, e por último com base nesta qualificação, tomar decisões sobre suas práticas docentes e sobre a conduta de seus alunos, para que o que estiver fazendo que não esteja surgindo resultados positivos para os estudantes seja modificado e os alunos que estiverem com um rendimento satisfatório serem passados para passos subsequentes da aprendizagem.
A segunda etapa é o padrão mínimo de consulta que defende que o sistema utilizado hoje de notas seja inexistente, pois a nota não representa o conhecimento total do aluno, então o ideal seria estipular um padrão mínimo necessário, com o consequente desenvolvimento de habilidades, hábitos e convicções.
Neste contexto para servir de exemplo poderia ser estipulado que a nota sete seria o valor mínimo necessário de conhecimento que o estudante precisaria ter para obter um resultado satisfatório e passar adiante, aqueles que atingissem menos que isso seriam reorientados e passariam pelas etapas novamente a fim de que obtivesse o mínimo necessário, e os que atingissem um rendimento maior que o mínimo, iam recebendo notas superiores até atingirem a máxima que é o dez. O professor pode fazer uso de média, mas desde que esta não distorça tanto o resultado final da aprendizagem do aluno, assim ele tem que conversar e planejar com seus alunos qual será o mínimo necessário e esforça-los a atingirem este mínimo.
Essa prática de adoção do “mínimo”, não deve ser focado ao extremo dentro de sala de aula, e dentro do ensino de conteúdos mínimos que não saem do enfoque, pois assim não estaria sendo praticada a aprendizagem e sim só cópias e repetições mínimas para o desenvolvimento dos alunos, essa prática também não pode ser adotada por um professor sozinho tem que ser discutido e definido por um conjunto de professores e com a comunidade pedagógica escolar.
E por fim os docentes precisam estar mais preocupados com a efetivação da aprendizagem do educando, ou seja, o aluno precisa aprender mais o que está sendo ensinado e esse ensino precisa ser de qualidade, mas os poucos investimentos na educação desmotivam os professores e enfraquecem o atual sistema de educação do país. Avaliação é um diagnóstico da qualidade dos resultados intermediários ou finais e a verificação é uma configuração dos resultados parciais ou finais, para que a avalição se torne um instrumento significativo da prática educativa, é fundamental que ambas sejam conduzidas com um determinado rigor científico e técnico, e a ciência pedagógica hoje está amadurecida o suficiente para que isto venha a acontecer e então assim poder levar à construção de resultados significativos da aprendizagem que melhorem o desenvolvimento em todos os aspectos dos alunos.


Referência 


LUCKESI, Cipriano Carlos. Verificação ou avaliação: o que pratica a escola? In: LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 22. Ed. São Paulo: Cortez, 2011, p. 45-60.

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