De examinar para avaliar, um
trânsito difícil, mas necessário
i.
"...
resultados novos no processo de ensino-aprendizagem em nossas escolas são
necessários hábitos novos e estes, por sua vez, exigem novas aprendizagens,
como também novas condições para exercitá-las".
Ou seja, não pode se questionar os resultados negativos dos
alunos, quando a escola e os professores ainda seguem os antigos meios de uso
do exame. A prática deles não está voltada para o desenvolvimento da
aprendizagem de seus alunos, mas sim na aprovação/reprovação deles. Então para
que os resultados passem a ser favoráveis, tanto a escola como os professores
teriam que rever seus métodos e as suas concepções do que é avaliar.
ii.
"...
carga de ameaça e castigo sobre os educandos, cujo objetivo é pressioná-los,
para que disciplinadamente estudem, aprendam e assumam condutas, muitas vezes,
além de externas a eles mesmos, também aversivas".
Ou seja, os alunos têm a concepção de que a prova é um instrumento
usado pelo professor para que eles obtenham uma aprovação, então a dedicação
dos alunos com o estudo, na verdade é para que obtenham uma nota que o aprovem
naquele exame. Então, a maioria tem uma aversão e um medo enorme de ouvir a
palavra prova, já para o professor todo este poder que o uso da prova lhe dar,
serve para que eles pensem e ajam como se estivessem realmente educando seus
alunos, ou melhorando seus comportamentos.
iii. "... Assim sendo, não faz muito sentido condenar
educadores que, hoje, ainda, não conseguem transitar do ato de examinar para o
ato de avaliar na escola".
Ou seja, não se pode colocar toda a culpa do fracasso dos
alunos, somente nos professores, pois está diferença de examinar para avaliar é
grande, e infelizmente alguns professores não pretendem mudar essa sua
concepção e esse modo de agir, como também o meio no qual estamos inseridos não
irá mudar, deixando de ser excludente para includente.
iv. "... A configuração histórica do modo de agir com os
exames tornou-se resistente a mudanças, pois que ela oferece um modo
confortável de ser, garantindo ao educador poder de controle sobre os
educandos".
Ou seja, o professor acredita que a utilização da prática
avaliativa, com o intuito de aprovar/reprovar o aluno lhe dar um poder e um controle
absoluto sobre os seus alunos dentro da sala de aula, isso acontece desde a
nossa sociedade antiga, quando o exame passou para teste e depois para
avaliação.
v. "... Como um todo, os exames escolares, hoje, não nos
ajudam a produzir resultados escolares bem-sucedidos...".
Ou
seja, a utilização dos exames com fim de que os alunos estudem para obter notas
que o aprovem de uma série para outra, não é considerado uma prática de
sucesso, pois na maioria dos casos esses alunos acabam sendo prejudicados, pois
não aprendem o conteúdo, e sim o estudam para obter aprovação, visto que a
reprovação é um resultado ainda pior de se ganhar.
vi. "... o segundo fator que dificulta a mudança: o modelo
de sociedade vigente na modernidade, que é excludente".
Ou seja, a influência que a sociedade moderna atual trás
para dentro da escola e para a explicação da prática avaliativa dos professores
em somente avaliar para classificar é evidente, pois para mudarmos essa prática
docente, teríamos que começar a mudar nossos atos dentro da nossa sociedade, e
deixar de lado a exclusão e tornarmos uma sociedade de verdade.
vii. "... Há, pois, uma compatibilidade entre modelo social
vigente e exames escolares, fato que reforça o significado e a permanência
destes últimos e, ao mesmo tempo, reforça o significado e a permanência do
modelo social. A avaliação da aprendizagem é democrática, pois que, sendo
inclusiva, acolhe a todos, o que se opõe ao modelo social hierarquizado e
excludente da sociedade burguesa, daí ser difícil praticá-la.
Ou seja,
os modelos de exames que são para excluir é como a classificação social atual,
pois no modelo de nossa sociedade temos diferentes níveis de classificação para
as pessoas. E os professores ao avaliarem os seus alunos com o intuito de
classifica-los coloca dentro da sua sala de aula os alunos em diferentes níveis
quanto a sua aprendizagem, sendo que os que ocupam a primeira posição deste
ranking são considerados os melhores, que muitas vezes não são. E a avaliação
da aprendizagem veio para desconsiderar essa prática e mudar o sentido de
avaliação tanto para os professores quanto para os alunos, por isso ela é
considerada democrática e por isso que é tão difícil de praticá-la por alguns
professores que acham mais fácil aprovar/reprovar os seus alunos por suas notas
do que ajudá-los a desenvolverem suas habilidades melhorando assim a sua
aprendizagem e a sua nota.
viii.
" Em
nossas vidas escolares, aprendemos obedecer, de modo externo e aversivo, e,
agora, repetimos essa prática junto aos nossos educandos, usando os exames como
recurso de controle".
Ou seja, a prática avaliativa do exame como classificação e
como objeto de poder e controle do professor, é uma ação que já foi vivenciada
por ele durante a sua vida escolar, e que mesmo que alguns de seus professores
não tenham praticado esse modelo avaliativo, os que o fizeram acabam se
destacando na vida escolar do aluno, que venha a se tornar um professor, e que
agora replica isso dentro da sua sala de aula.
ix. "... insano é querer obter resultados novos com hábitos
antigos. Para se obter resultados novos, são necessários modos novos de
agir".
Ou seja, como melhorar o melhorar a aprendizagem dos alunos,
se os professores continuam a utilizar métodos antigos de avaliar e o usam para
puni-los ao invés de ensiná-los? Para que os alunos desenvolvam suas
habilidades e obtenham êxito escolar, os professores e a comunidade escolar têm
que rever seus conceitos e mudar seus métodos.
x. "... Ninguém de nós, em sã consciência, age para obter
insucesso. Todos desejamos sucesso. Por que, então, na prática educativa, nos
contentamos com o fracasso de nossos educandos; ou pior ainda, ficamos felizes,
quando geramos esse fracasso com as provas desnecessariamente complicadas que
elaboramos e aplicamos em nossos educandos?".
Ou seja, como pode alguns professores utilizarem de métodos
classificatórios para avaliarem seus alunos, mesmo sabendo que o seu papel é de
ensinar, de ajudar, e mesmo fazendo isto conseguirem ficar felizes. A maioria
dos casos é que isso é possível, alguns professores não se importam se os seus
alunos estão realmente aprendendo, mesmo vendo que ao submeterem eles a exames
os resultados sejam negativos, não se importam e não mudam o seu método, alguns
deles se sentem mais importantes por ser um tipo de profissional que mais
reprova do que aprova os alunos, ou seja os alunos já tem um medo de encarar a
disciplina e quando se deparam com professores deste tipo, esse medo é
duplicado.
Referência
LUCKESI,
Cipriano Carlos. De examinar para avaliar, um trânsito difícil, mas necessário.
In: LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação
da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 22. Ed. São Paulo: Cortez,
2011, p. 67-72.
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